quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2026

Estive pensando muito nos últimos dias.
Aliás, pouco falo, muito penso. Ainda bem que está todo mundo acostumado com isso.
Porque não sou bom em falar. Tenho me esforçado bastante ultimamente, me forçando a falar mais, mas é difícil.
Interagir com pessoas é difícil. É cansativo. É exercício constante de tolerância. Para todos os envolvidos, acho. Somos maníacos como espécie.

Houve um tempo, alguns pares de milênios atrás, onde coexistiam duas espécies de hominídeos. Ambos seguiam comportamento semelhante, eram relativamente espertos, buscavam por abrigo e comida. A diferença básica era, um desses grupos se distanciava pouco, peregrinava entre as regiões da África e Europa, parava quando encontrava um local abundante em recursos ou quando atingia algum obstáculo particularmente desafiador.
O outro grupo era o nosso. Homo sapiens sapiens, muito prazer. Ou não. Porque nossa espécie não sossegava. Se afastava mais e mais. Isso nos permitiu prosperar e nos adaptar à todos os pedacinhos semi habitáveis do planeta, colonizamos tudo, dominamos tudo. Mas continuamos nos mexendo. E nos afastando, em busca constante de algo que não temos ainda.
Chegou uma hora que dominamos transporte, navegações, o escambau, quando acabou o espaço de superfície para explorarmos começamos a mapear cavernas, fundo do mar, começamos a sair do planeta, pisamos na lua algumas vezes, queremos mandar gente pra marte... não tem fim isso!
A especulação inicial que vi sobre esa abordagem é que somos, basicamente, loucos. Mas essa loucura que nos permitiu prosperar, porque nos coçamos, nos incomodamos e nos mudamos quando sentimos que a situação está aquém do ideal. O primeiro grupo era o de Neandertais. Qual dos grupos ainda está por aqui?
No entanto, não creio que seja só isso.
Somos criaturas sociais. Ao menos é o que pregam, e faz sentido até certo ponto. Mas não significa que queremos socializar.
Fundamentalmente somos movidos à aversão. Formamos opiniões e valores, e tentamos evangelizar a maior quantidade de pessoas possível a respeito de nossas conclusões, porque é muito mais fácil conviver com quem partilha de seus valores.
Acho que no começo eramos movidos à ódio. Acho que tinhamos tanto desprezo por todos que nos cercam, que era mais aceitável encarar um destino incerto explorando do que ficar mais um instante junto com aquilo tudo que nos cerca.

Tenho brincado ultimamente muito sobre o fato de que temos um contrato implícito uns com os outros. Ele contém uma única cláusula, que diz "prometo que juro que vou tentar, me esforçar de verdade, para não te matar", e às vezes esse contrato fica difícil demais de manter. Esse é um bom motivo para ir embora.

Colocando assim parece ressentimento. Talvez zeja. Talvez não.
O que temos certeza que é, é um inconformismo. Com o que quer que seja.

A vida é curta para gastar com pessoas erradas, problemas alheios e falta de foco. Prefiro gastar o pouco que tenho com aqueles que me importam.

Amo vocês. Estamos iniciando uma nova jornada complicada, correndo atrás de algo que faça sentido.
Pra mim faz todo sentido do mundo. A vida é curta, mas se nesse curto espaço de tempo eu puder tornar a existência de vocês mais agradável, valeu a pena.

Obrigado por gastarem o tempo de vocês comigo.